Debandada no Plenário: Descaso com o Eleitor Encerra o Ano Legislativo em Colatina
Opinião e Notícia | Por Kennedy Guidoni Colatina, 23 de Dezembro de 2025
A última sessão ordinária de 2025 na Câmara Municipal de Colatina não terminou com o balanço de metas atingidas, mas sim com um vexame institucional que ficará marcado na história da Casa. O que deveria ser o encerramento dos trabalhos legislativos transformou-se em um cenário de cadeiras vazias, revelando um profundo descompromisso de parlamentares que, ao que parece, já entraram em recesso mental muito antes do tempo legal.
Pela primeira vez em anos, a sessão caiu por falta de quórum mínimo. O esvaziamento foi tão severo que impediu a votação de projetos, moções e barrou até mesmo a prestação de um respeitoso minuto de silêncio. Um encerramento melancólico que desrespeita não apenas o rito democrático, mas a memória e a dignidade do cidadão colatinense.
Indignação na Tribuna e Recordes Negativos
O clima pesou quando o vereador Ângelo Stelzer subiu à tribuna para disparar críticas contundentes contra seus pares. Com cinco anos de mandato, Stelzer afirmou nunca ter presenciado tamanha falta de postura. O coro foi reforçado pelo presidente da Câmara, Felipe Tedinha, que, em nove anos de vida pública naquela Casa, declarou ser este um fato inédito e inaceitável.
A sessão, que começou com apenas duas ausências — Jolimar Barbosa, que permanece em Santa Catarina acompanhando o filho, e a vereadora Lunanda —, desintegrou-se diante dos olhos do público.
A Debandada dos Ausentes
Enquanto o trabalho legislativo ainda exigia presença e votação, uma debandada silenciosa comprometeu o encerramento do ano. O vereador Louzada solicitou licença minutos antes do término para cumprir agenda com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência em 2026.
Entretanto, a situação tornou-se insustentável devido à ausência injustificada de outros parlamentares durante o andamento da sessão. Os vereadores Antônio Silva, Jhonn Lenon, Ferrerinha e Jorge Guimarães deixaram o plenário, inviabilizando qualquer deliberação e forçando o encerramento precoce dos trabalhos por falta de quórum.
O Prejuízo é do Cidadão
É inadmissível que a última oportunidade de votação do ano seja desperdiçada pela negligência de quem foi eleito para representar o povo. O episódio reforça a urgente necessidade de uma fiscalização rigorosa e de punições financeiras reais para faltas e abandonos de plenário, uma vez que as normas atuais protegem excessivamente os parlamentares.
Colatina termina 2025 órfã de debate em sua última sessão oficial. Para o eleitor, fica a imagem de uma Casa onde o compromisso com o cargo parece ser, para muitos, um fardo descartável diante de interesses pessoais ou conveniências de última hora.
