O Efeito Kassab: Pré-candidatura da Primeira-Dama de Colatina sacode bastidores e ameaça redutos da "Velha Política"
COLATINA – O tabuleiro político capixaba, que até então ensaiava movimentos discretos para o pleito de 2026, sofreu um abalo sísmico nesta semana. O epicentro foi uma publicação estratégica de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, que lançou luz sobre a Primeira-Dama de Colatina a Dra. Lívia Vasconcelos
como uma das apostas da legenda para a Câmara Federal. O aceno de uma das figuras mais influentes da política brasileira não foi apenas um "post", mas um recado claro de que a renovação pode vir com força total do interior do estado.
O anúncio agiu como um estopim, causando desconforto imediato em caciques da "velha política" que já ocupam cadeiras em Brasília e planejam a reeleição. Nomes como Da Vitória (PP), Paulo Foletto (PSB) e Jackeline Rocha (PT) agora veem surgir em seu horizonte de votos uma figura que, embora estreante em urnas próprias, demonstrou ser uma articuladora de peso nos bastidores da vitoriosa campanha municipal de 2024.
Força Discreta, Resultados Contundentes
Diferente do perfil histriônico de alguns parlamentares atuais, a Primeira-Dama de Colatina tem consolidado sua imagem através de uma atuação participativa, mas discreta na gestão. Fontes próximas afirmam que ela possui uma capacidade incomum de ouvir demandas e articular soluções de forma natural, sem o desgaste das brigas partidárias rasas.
Ao ser questionada sobre a publicação de Kassab, ela adotou a cautela diplomática: não confirmou, mas também não descartou. Para analistas, o silêncio é estratégico. Ao deixar a porta aberta, ela emerge como o nome da renovação que o eleitorado, cansado de figuras carimbadas, parece desejar para o Congresso Nacional em 2026.
A "Encruzilhada" dos Vereadores: Fidelidade ou Conveniência?
Se em Brasília o clima é de alerta, na Câmara de Colatina o recesso parlamentar promete terminar com um cenário de "saia justa". A ascensão do nome da Primeira-Dama coloca vários vereadores em uma encruzilhada política perigosa.
O caso mais emblemático é o de John Lennon. Declaradamente apadrinhado por Da Vitória e muito próximo à gestão municipal, o vereador terá que decidir se mantém a lealdade ao seu padrinho político ou se embarca na candidatura da esposa do prefeito, sua principal base de sustentação local. O mesmo dilema deve atingir outros parlamentares que possuem vínculos com Paulo Foletto e Victor Linhalis.
O "emparedamento" é inevitável: continuar servindo a dois senhores ou apostar na renovação doméstica?
O Medo do Novo
A agitação nos gabinetes de Da Vitória e Foletto é compreensível. O surgimento de uma candidatura com forte aceitação popular em Colatina e região ameaça a hegemonia de quem transformou o mandato em um ciclo perpétuo de reeleições. A política capixaba tem um histórico de favorecer os mesmos grupos, mas o "fator Kassab" indica que o PSD está disposto a investir pesado para quebrar essas bolhas.
Resta saber se a Primeira-Dama terá o ímpeto de trocar o trabalho de bastidores pelo palanque direto. Se o fizer, o cenário para 2026 em Colatina não será apenas uma disputa por votos, mas um teste de sobrevivência para os veteranos que, até ontem, achavam que o território estava garantido. A renovação não pede licença; ela apenas acontece quando os métodos antigos deixam de responder aos anseios da população.
