Austeridade ou Marketing? O custo dos gabinetes e a ausência de Sérgio Meneguelli no interior
VITÓRIA – No teatro político da Assembleia Legislativa do Espírito Santo (ALES), o deputado Sérgio Meneguelli (Republicanos) construiu uma marca poderosa em torno da economia: o abandono do carro oficial. O gesto é vendido como o ápice da responsabilidade com o dinheiro público, mas um olhar mais atento sobre os bastidores e as reclamações vindas do interior levantam uma dúvida pertinente: estamos diante de uma economia real ou de uma eficiente estratégia de marketing?
O custo invisível de um gabinete cheio
Meneguelli frequentemente exalta o fato de não onerar o Estado com gastos de combustível e manutenção de veículo. No entanto, o "mérito" da austeridade parece não se estender à sua folha de pagamento. O deputado mantém hoje 14 assessores lotados em seu gabinete. Para efeito de comparação, o deputado Lucas Polese (PL), conhecido por uma atuação de oposição barulhenta, possui 15 servidores — apenas um a mais.
A pergunta que ecoa nos corredores da ALES e nas mesas de café do interior é: se o deputado tem uma estrutura de pessoal tão robusta, por que ele não consegue estar presente nas cidades que o elegeram? A economia gerada por abrir mão de um veículo é mínima se comparada ao custo mensal de 14 salários de assessores. Se essa equipe não está sendo utilizada para dar suporte a uma agenda de fiscalização presencial, para que serve, afinal, tamanha estrutura?
Austeridade de vitrine vs. Fiscalização de asfalto
Enquanto Meneguelli colhe curtidas com o discurso do "carro próprio", leitores de diversas cidades capixabas têm procurado nossa redação para reclamar da ausência do parlamentar. A falta de mobilidade institucional parece ter transformado o deputado mais votado da história do estado em um "parlamentar de gabinete", distante dos problemas reais que ocorrem longe da capital.
Em contrapartida, Lucas Polese opta pelo uso do carro oficial, mas justifica o gasto com o chamado "pé no barro". Polese tem sido figura carimbada em municípios do interior, utilizando o veículo da Assembleia para fiscalizar obras precárias e cobrar eficiência do Governo do Estado. No papel de fiscalizador — função primordial de um deputado —, Polese entrega uma presença que Meneguelli, em nome de uma suposta economia, tem negligenciado.
A conta que não fecha
A reflexão que fica para o eleitor é se vale a pena economizar alguns milhares de reais em gasolina enquanto se mantém um custo fixo de gabinete para uma atuação que pouco sai das redes sociais. Abrir mão do carro oficial é um simbolismo bonito, mas se isso impede o deputado de exercer sua função de vigiar o Executivo in loco, a "economia" sai caro para o cidadão.
O marketing da bicicleta e do carro próprio é sedutor, mas a fiscalização real exige quilometragem. Quando o discurso da austeridade serve apenas para justificar a ausência, ele deixa de ser responsabilidade fiscal e passa a ser apenas propaganda. Afinal, do que adianta um gabinete com 14 pessoas se o deputado não é visto onde o povo precisa?
