Polarização e Vácuo Político: O novo cenário da disputa pela Assembleia Legislativa em Colatina
A corrida eleitoral de 2026 para a Assembleia Legislativa em Colatina começa a ganhar contornos de uma disputa acirrada entre dois campos bem definidos, mas marcados por um novo e inesperado vácuo de liderança. A "polarização da vez" parece se concentrar entre o combativo vereador Vitor Louzada e o experiente ex-prefeito Guerino Balestrassi, atualmente secretário da (SERD).
Este cenário de duelo direto consolidou-se após uma mudança brusca na estratégia do PSD. Ao cogitar o lançamento da Primeira-Dama, Dra. Lívia Vasconcelos, para uma vaga na Câmara Federal, o partido do prefeito Renzo Vasconcelos acabou criando um hiato na representação para deputado estadual, deixando o grupo governista local sem um nome de "peso pesado" para a disputa no Legislativo capixaba.
O Duelo de Gigantes: Louzada vs. Balestrassi
A disputa reflete dois perfis antagônicos que dividem o eleitorado:
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Vitor Louzada (PL): Fortalecido por uma atuação parlamentar incisiva e por ter sido o segundo vereador mais votado da cidade, Louzada emerge como o nome da fiscalização e do confronto técnico. Sua postura em temas polêmicos deu a ele o fôlego necessário para pular do Legislativo municipal para o estadual com uma base sólida.
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Guerino Balestrassi (MDB): Representando a "experiência de gestão", Guerino traz o recall de seus mandatos como prefeito e o trânsito livre no Palácio Anchieta. Sua candidatura é a aposta da velha guarda e de setores que buscam estabilidade e continuidade nas políticas estaduais para a região.
O Vácuo no PSD: Pepê ou Lunanda?
Com a possível ida de Lívia Vasconcelos para a disputa federal — movimento que visa fortalecer o PSD no cenário nacional pelas mãos de Gilberto Kassab —, a base governista em Colatina busca uma alternativa. Os nomes mais próximos de herdar esse espólio são o de Pepê Vasconcellos e o da vereadora Lunanda, a mais votada no último pleito municipal.
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Pepê Vasconcellos: Já testado nas urnas em 2022, quando obteve pouco mais de 2.300 votos, Pepê agora enfrenta um cenário diferente. Se na eleição anterior ele era uma aposta isolada, hoje precisaria de um apoio robusto e direto do presidente do PSD estadual, Renzo Vasconcelos, para viabilizar sua candidatura. No entanto, analistas apontam que, sem o "carimbo" de um sucessor natural, o grupo corre o risco de ver seus votos pulverizados.
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Lunanda (Republicanos): Como detentora do recorde de votos para a Câmara em 2024, Lunanda é vista como um fenômeno popular. Sua entrada na disputa estadual poderia preencher o vácuo deixado por Lívia, mas exigiria uma articulação complexa de alianças, já que ela pertence a uma sigla diferente da de Renzo.
O Risco da Fragmentação
O recuo estratégico do PSD em relação à vaga estadual pode custar caro ao grupo de Renzo Vasconcelos. Ao priorizar o projeto federal da Primeira-Dama, o prefeito abre flanco para que Vitor Louzada capitalize o voto da renovação e Guerino Balestrassi capture o voto do eleitor tradicional.
A política colatinense entra em um período de definições perigosas. Pepê Vasconcellos, embora tenha o sobrenome de peso, precisará provar que sua votação de 2022 pode crescer exponencialmente para chegar à ALES. Caso o PSD não defina rapidamente um herdeiro político para a disputa estadual, Colatina poderá ver sua representação no Anchieta polarizada entre dois nomes que, embora fortes, representam projetos que muitas vezes colidem com os planos da atual gestão municipal.
