Sucessão na Câmara: Johnn Lennon Desafia Hegemonia em Disputa que Envolve Controle de Cargos e Pautas
COLATINA – Os bastidores da Câmara Municipal de Colatina fervem com a aproximação da eleição para a Mesa Diretora. O cenário, que historicamente mantém um grupo consolidado no poder, enfrenta agora a ousadia do vereador Johnn Lennon, que sinaliza a intenção de quebrar a hegemonia vigente e apresentar uma chapa concorrente.
A disputa, entretanto, vai muito além da cadeira da presidência: o que está em jogo é o controle de um "exército" de cargos comissionados e o poder de ditar o ritmo das votações de interesse do prefeito Renzo Vasconcelos.
O Poder da Caneta e as 21 Vagas
O presidente da Câmara detém a prerrogativa exclusiva de nomear servidores para cargos estratégicos que garantem a sustentação política dentro da Casa. Uma vitória de Johnn Lennon representaria uma redistribuição drástica dessas vagas, atingindo diretamente a cúpula que hoje domina o Legislativo. Estão no centro da disputa:
-
Direção e Jurídico: 1 vaga de Diretor Geral e 2 de Assessor Jurídico (salários de R$ 5.100,00 cada).
-
Comunicação e Direção: 2 vagas para Assessoria de Imprensa (R$ 3.900,00) e 1 de Assessor de Direção (R$ 4.150,00).
-
Estrutura de Apoio: Outras 15 vagas com salários na casa dos R$ 2.000,00, além do ticket alimentação.
Para a atual gestão, perder o controle dessas 21 nomeações seria um golpe duro na sua capacidade de articulação e influência parlamentar.
Barganha e a Relação com o Executivo
Outro ponto de tensão é a proximidade de Johnn Lennom com o prefeito Renzo Vasconcelos. Atualmente, o comando da Casa utiliza a pauta de votações como principal moeda de troca. Ao controlar quais projetos do Executivo vão à votação, a presidência abre espaço para barganhas em atendimento às demandas de vereadores aliados.
A cúpula teme que, com Lennom na presidência, essa "força de barganha" migre diretamente para o Palácio Municipal, esvaziando o poder político dos veteranos da Câmara.
Hegemonia vs. Renovação
O atual cenário de poder na Câmara tem nomes conhecidos. Jolimar Barbosa, que presidiu a Casa nos biênios 19/18 e 21/22, poderá tentar seu terceiro mandato. Ele é o sucessor direto de Felippe Martins (Tedinha), mantendo uma linha sucessória clara.
O fiel da balança nesta eleição serão os vereadores de primeiro mandato. Eles terão que decidir entre manter a continuidade da atual hegemonia — preservando as alianças e cargos já estabelecidos — ou apostar na alternância de poder proposta por Lennom, abrindo espaço para uma renovação administrativa e política.
O desfecho desta disputa definirá não apenas quem comandará as sessões nos próximos dois anos, mas como os recursos públicos da Câmara e a agenda da cidade serão geridos.
