Fim do Recesso em Colatina: Legislativo Retoma com Pressão sobre o Executivo e Pauta Carregada
COLATINA – As luzes do plenário se acendem nesta segunda-feira (02/02) para a primeira sessão ordinária de 2026, e o clima é de ofensiva. Se o recesso serviu para descanso de alguns, para outros foi o período de municiar a metralhadora legislativa. A pauta divulgada revela que o prefeito Renzo Vasconcelos e sua equipe de secretários terão que explicar muito mais do que apenas a gestão rotineira.
Projetos de Lei: Entre o Social e a Nomenclatura
Na ordem do dia para segunda discussão, três projetos buscam aprovação final. Destaca-se a proposta do Vereador Pastor Ezequias, que tenta viabilizar parcerias com a Fundação Nascer para o tratamento de dependentes químicos — um tema sensível e de alta demanda social. No entanto, o restante da pauta de votação segue a tradição burocrática de denominações de ruas e eventos, como o "Colatina Fashion Days".
O "Fogo Cerrado" de Vitor Louzada
O grande protagonista desta retomada é, sem dúvida, o vereador Vitor Louzada. O parlamentar protocolou nada menos que 14 requerimentos (de 001 a 014/2026) em um único fôlego. O tom é de fiscalização agressiva:
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Contratos sob Lupa: Louzada exige cópias de contratos de locação da nova sede da Secretaria de Saúde e da Unidade Provisória no bairro Maria das Graças.
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SANEAR: Questiona a renovação da empresa responsável pela manutenção das bombas de água.
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Novo Horizonte: Cobra explicações do Prefeito, do Governador e até do DNIT sobre demolições realizadas na área de "invasão" do bairro.
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Emergência: Pede detalhes sobre o decreto de emergência após o vendaval de janeiro.
Essa postura sugere que a trégua política, se é que existiu, acabou. Louzada parece disposto a asfixiar a administração municipal com pedidos de transparência que tocam em feridas abertas, como os custos da Saúde e a gestão do SANEAR.
John Lennon e o Olhar para Vitória
Enquanto Louzada foca no Palácio Municipal, o vereador John Lennon mira o Palácio Anchieta. Seus requerimentos (106 e 107/2025) exigem um raio-X detalhado dos investimentos do Governo de Renato Casagrande em Colatina de 2019 até 2025. É uma movimentação estratégica: ao cobrar dados do Estado, Lennon busca dar visibilidade ao que foi (ou deixou de ser) feito por Colatina na esfera estadual, preparando o terreno para cobranças futuras.
Moções: A Arena Ideológica
Para não deixar o campo ideológico vazio, Vitor Louzada também pautou moções que prometem polêmica. De um lado, o reconhecimento religioso com aplausos ao Papa Leão XIV; do outro, a "guerra cultural" com uma moção de repúdio ao ator Wagner Moura. Tais medidas, embora de efeito prático nulo para o dia a dia do cidadão, servem para manter o engajamento das bases conservadoras e marcar território político.
O que esperar?
A quantidade de requerimentos apresentados logo na primeira sessão indica que a base aliada do prefeito terá trabalho dobrado para articular as respostas. Requerimentos que pedem "cópia de processo" e "detalhamento de custos" são instrumentos poderosos de fiscalização que podem, eventualmente, evoluir para denúncias mais graves caso as respostas não sejam satisfatórias ou transparentes.
Colatina começa o ano legislativo com um recado claro: a fiscalização será implacável e a Câmara não será um mero carimbador de projetos do Executivo.
